A Fusão entre o Tao e o Tantra Primordiais

Ao Leitor/Caminhante: o Texto abaixo é de autoria de Janine Milward ₢2004. Se você quiser copiar ou encaminhar, faça sempre na íntegra e sempre mencionando sua autoria e seus direitos reservados.
Obrigada e Namaskar, eu saúdo você com minha mente e com meu coração.



A Realização da Espiritualidade

A fusão entre o Tao e o Tantra Primordiais

Janine Milward


O Caminho da Bem-Aventurança

Ao realizarmos nosso trabalho do cotidiano no Planeta bem como nossa Meditação e nosso trabalho espiritual – nossa Sadhana – estaremos caminhando nosso Caminho da Bem-Aventurança, realizando em nós mesmos o processo de vida do universo que conhecemos..., estaremos ampliando nossa consciência buscando fusioná-la como a Suprema Consciência, estaremos trilhando o Caminho da Iluminação, estaremos processando alquimicamente nosso corpo físico em Corpo de Luz e assim, podendo entrar no Caminho da Imortalidade e nos fusionarmos ao Tao.

A fusão com o Tao é a fusão com a totalidade do Criador e da Criação, é a fusão com a Consciência Suprema, é o ingresso no Mundo da Não-Manifestação – aquele que dá vida ao Mundo da Manifestação.

O Mundo da Não-Manifestação, Criação e Criador, encontra-se dentro da semente do universo a vir-a-ser, a explodir e a jorrar vida através do espaço e tempo que voltam a existir. É a mutação do universo, é o Eterno Retorno, é o Revirão da Criação e do Criador.

Criador e Criação simbolizam o Mundo da Manifestação, a natureza que se revela. No entanto, é a natureza que não se revela, o Mundo da Não-Manifestação, que cria o Mundo da Manifestação. O Nada e o Todo sempre advêm do Tudo que por sua vez advém do Mundo da Não-Manifestação que por sua vez advém do Tao.

Assim nos diz Lao Tsé, o Mestre do Tao primordial, em seu Capítulo 25 do Tao Te Ching, o Livro do Caminho e da Virtude:
O homem se orienta pela terra
A terra se orienta pelo céu
O céu se orienta pelo Tao
O Tao se orienta por sua própria natureza (1)

Também Srii Srii Anandamurti, Baba, o Mestre do Tantra primordial, nos revela:

A força que guia as estrelas, guia você também


Tudo é Mente
(Manifestada através da Luz e Não-Luz - A Criação)

Srii Srii Anandamurti, o Mestre do Tantra, nos diz:

A meta de nossa vida é nos fusionarmos com o Tao, a Suprema Consciência.

E por que? A realidade é que tudo, tudo, tudo é simplesmente o Tao, a Suprema Consciência. Baba Nam Kevalam.

A Suprema Consciência dá berço à Mente Cósmica que por sua vez faz nascer a Criação, assim como a conhecemos e a ela pertencemos.

No entanto, por possuirmos, privilegiadamente, a expansão da mente, somos aqueles dentro da Criação que possuem o dom e a oportunidade de tecermos cada vez mais a expansão de nossa consciência até torná-la Consciência: real espelho da Mente Cósmica e certamente, da Suprema Consciência: é o Retorno à Fonte Original – essa é a meta de nossa vida.

Assim, a mente nos leva a compreendermos mais profundamente a respeito de nossas ações – direcionadas a partir de nossa consciência – e das reações à essas mesmas ações – mais imediatas ou em potencial (ainda numa mesma encarnação ou em seguimento de encarnações).


Karma e Samskara
Ação e sua Reação imediata ou em potencial

De uma maneira geral, estamos sempre ouvindo – ou mesmo falando – sobre tal evento ou situação ou pessoa que representam aquilo que (erroneamente) entendemos como nosso Karma..., na expectativa de que, com isso, estamos nos referindo ao peso, ao obstáculo, à situação desagradável ou penosa que temos que enfrentar em nossas vidas...

No entanto, não necessariamente Karma quer significar peso, obstáculo, situação desagradável ou penosa.... Não. A verdade é que Karma significa ação. Nossas ações de vida, todas, são denominadas de nossos Karmas.

E certamente, compreendemos que toda ação traz uma reação – seja ela uma reação mais imediata (ou podendo acontecer ainda dentro da mesma vida quando a ação, Karma, tenha sido praticada); ou seja ela em seu sentido de reação em potencial (podendo acontecer ainda na mesma vida bem como sendo a reação de ações praticadas em outras vidas anteriores).

Ação é Karma. O resultado de nossas ações se chama Samskara.

A Criação é a manifestação, o espelho da Mente Cósmica que por sua vez traduz a Suprema Consciência, o Tao da Criação.

Assim, toda a Criação é também mente. No entanto, aparentemente, somos nós, os seres humanos, os detentores da possibilidade de, primeiramente, expandir infinitamente e iluminadamente esta mente, transmutando-a em consciência e, em seguida, em Consciência iluminada e infinita, fusionada à Suprema Consciência, ao Tao da Criação.




Mente, Intelecto e Consciência

Quanto estamos sob as limitações, em nossa mente, somos parte do coletivo – Jiiva - ainda vivendo na escuridão da ignorância.  Somos então dominados pelo medo e pelas questões terrestres apenas.

 Quando ultrapassamos as limitações em nossa mente e alcançamos a liberação da mesma, alcançamos o Uno, Shiva, e com ele nos fusionamos.

Dessa forma, é importante que saibamos que, sendo seres que usam sua mente, aprendemos que antes de mais nada, também é a mente a causa das limitações bem como a causa da Liberação.

Existem então formas que poderemos nos impor para ultrapassar a ignorância de nossa mente – essa é a meta de realização de nossa vida.

É a mente que realiza a ação. E portanto é a mente que desfruta das vicissitudes e das virtudes dessas ações.
Quaisquer ações que pratiquemos, são gravadas suas impressões em nossa mente. São reações em potencial. Karmas e Samskaras.

Quando a mente se deforma – a partir da prática de ações negativas e da colheita das reações semelhantes -, ela tem intrinsecamente a tendência a retornar à sua forma original, ou seja, mente pura, cristalina, infinita e iluminada.

Dessa forma, podemos entender também que Samskara é a tendência da mente a retornar à sua forma original, ou seja, à Fonte Primordial, o Tao da Criação.


Sementes que nascem de novo e Sementes Queimadas

O Retorno à Fonte Original realizado pela mente expansionada buscando sua iluminação e infinitude, acontece quando o homem decide caminhar seu Caminho da Iluminação.

Lao Tsé, o Mestre do Tao, nos diz:

... Uma longa jornada inicia-se debaixo dos pés... (2)

O Caminho da Iluminação alcança sua plenitude quando o homem torna-se Homem Sagrado, com mente iluminada e infinita. No entanto, esse homem tornado sagrado, ainda é considerado Semente que nasce de novo, ainda pertence à Roda da Vida, a Samsara, na medida que, ao morrer parte para verdadeiros Nirvanas, sim, porém ainda precisa retornar à encarnação, à materialização, para poder bem realizar seu Caminho da Liberação, ou seja, vida iluminada e infinita e então, finalmente, tornar-se a Semente Queimada, já tendo conquistado plenamente a finalização de sua Samsara, a Roda das Encarnações, assim como a conhecemos.

O homem sempre se encontra diante de duas possibilidades em relação ao fato dele, o homem, como tudo no universo, ser uma semente. Num primeiro momento, poderíamos pensar que é bom "ficar para semente". Certamente também esse ponto de vista é correto quando quer significar deixar bom trabalho e bons exemplos como herança na Terra...

Mas, por outro lado, a sabedoria do Tantra (Tantra significa libertação da escuridão da ignorância) e revelada por seu mestre, Srii Srii Anandamurti, nos diz que existem homens e Homens Sagrados, ou seja, existem as sementes que voltam a produzir (re-encarnarem novamente na Terra ou em outros planetas do mesmo nível) ou existem as sementes "queimadas", aquelas que não mais voltam a encarnar.

Assim o homem é aquele que é a semente que nasce de novo e o Homem Sagrado é aquele que representa a "semente queimada", Dagdhabiija.

A "semente queimada" existe a partir da queima total de todos os Samskaras, provido o fato de que também não existem mais criações de Karmas - sempre a ação é correta não produzindo, dessa maneira, sua reação em potencial.


Consciência e Discernimento

Sabedores que, para não mais fazermos parte da Samsara, a Roda das Encarnações assim como a conhecemos, temos que realizar a total queima de todas as reações, negativas ou positivas – os Samskaras – para nos tornamos Sementes Queimadas e plenamente realizarmos nosso Caminho da Iluminação e Caminho da Liberação..., nos vem à mente a questão fundamental:

- Como então podemos ir além dos Karmas e Samskaras?

Esse é o papel da consciência. O que é consciência? Consciência é discernimentoViveka.

Essa consciência discriminativa, esse discernimento, sempre está entre a escolha de realizar uma ação boa ou uma ação ruim – existe então um julgamento.

Quando se age corretamente, Vidya, temos a consciência regendo a mente e podemos retornar à Consciência Suprema. A ação incorreta leva à degradação, Avidya.

O bom discernimento, Viveka, precisa muito bem definir a diferença entre aquilo que é eterno, Sat, e aquilo que é transitório, Asat. Também é importante discernir entre a dualidade e a unidade. O mundo da coletividade, Jiiva, acolhe o transitório e a dualidade. Somente a Suprema Consciência é a própria eternidade, é a própria unidade, Shiva.


Ação, conhecimento e Devoção
Karma, Jinana e Bhakti

Compreendemos também que o homem é aquele que funciona sua mente através do intelecto – que é extremamente limitado... Quando a mente consegue ultrapassar a limitação do intelecto, ela atinge a plenitude do Conhecimento.

O Conhecimento, Jinana, é muito importante porque é o instrumento que nos ajuda a identificar nossa meta e como alcançá-la.

Conhecendo nossa meta, é preciso a Ação, Karma, para se chegar até a ela. A Ação, sem reação, sem Samskara, é Karma. Apenas agir o Karma, a Ação, mecanicamente, não nos leva ao aprofundamento em nossa essência espiritual – é preciso então, Bhakti, a Devoção.

Uma vez tenhamos obtido a plenitude do Conhecimento, podemos jogá-lo fora, prescindir dele, porque o mais importante em nosso Caminho para a Liberação é a Ação plena de Devoção. Assim, o Conhecimento apenas não é suficiente para se alcançar a Suprema Consciência, o Tao da Criação.

O Conhecimento tem que ser aliado à Ação, Karma, e fundamentalmente, à Devoção, Bhakti. Dessa forma, a Devoção, Bhakti, é a meta final a ser atingida para que o aspirante espiritual possa vivenciar e ultrapassar seus Samskaras adquiridos.

Em suma, a essência de tudo é conseguirmos usar nossa mente, nossa consciência discriminativa, nosso discernimento, nosso julgamento – Viveka – para irmos além do intelecto, que é extremamente limitado. Assim fazendo, conseguimos realizar os três princípios fundamentais – Conhecimento, Ação e Devoção – de maneira plena para alcançarmos nossa meta, a Consciência Suprema . Esse é o Caminho da Liberação.

Assim, a conclusão é: enquanto existirem Samskaras, não existe Liberação. Qualquer ação, seja boa ou seja ruim, cria Samskaras. Se praticamos uma boa ação, trazemos boas reações, bons Samskaras para nossa vida: se praticamos uma má ação, trazemos Samskaras ruins para nossa vida....

Concluindo o Ciclo da Karmas e Samskaras...

Se enquanto existirem Samskaras (as reações imediatas ou em potencial em relação às ações praticadas), o homem não pode tornar-se Homem-Sagrado em sua plenitude..., como podemos ir além desse ciclo de Samskaras? Qual é a saída?

Primeiramente, temos que compreender que devemos realizar nossas ações pela sua realização intrínseca e não pelos seus resultados.

Assim, não procurar pelos resultados de nossas ações é a primeira saída para irmos além do ciclo de Samskaras, sejam bons ou ruins.

A ação correta certamente trará o resultado correto – mas isso não deverá fazer parte de nossa preocupação, de nossa intenção. Quando existe a preocupação ou intenção, o esforço não é completo.

A ação deve sempre ser realizada sem expectativas de seus resultados. É o Wei Wu Wei, a Ação através da Não-Ação.

O Caminho é uma constante não-ação
que nada deixa por realizar (9)

A boa caminhada não deixa rastros ou pegadas (10)

O Grande Caminho é vasto
.....
Conclui a obra sem mostrar sua existência
........
Assim, o Homem Sagrado nunca age como grande
Por isso pode atingir sua grandeza (11)

Em segundo lugar, devemos abandonar o ego, o autor das ações realizadas.

Apenas realizar a ação correta sem manter expectativas quanto ao resultado, não é ainda o suficiente: é preciso também abandonar o eu, o ego, a expectativa do reconhecimento do trabalho realizado.
Concluir o nome, terminar a obra, retirar o corpo
Este é o Caminho do Céu (12)

As pessoas tem um ego
Somente eu o ignoro considerando-o precário
O que quero que me distinga dos demais
É valorizar o alimentar-se da Mãe (7)

Se compreendermos que nossa mente é, na verdade, uma manifestação, um espelhamento, da Mente Cósmica advinda da Suprema Consciência, e nos conscientizando que sua maneira natural de ser a coloca no caminho de trazê-la da deformidade à perfeição absoluta..., certamente entenderemos o que nos diz Srii Srii Anandamurti, o Mestre do Tantra, em relação ao Princípio Primordial da Criação, a força vital:

Você nunca está sozinho ou abandonado...
A força que guia as estrelas, guia você também.

Finalmente, devemos oferecer tudo em nossa vida ao Tao da Criação, à Suprema Consciência. Esse oferecimento acontece através da realização de nosso Dharma, ou seja, da realização plena de nossa essência primordial.


Dharma

O homem se orienta pela terra
A terra se orienta pelo céu
O céu se orienta pelo Caminho (o Tao)
E o Tao se orienta por sua própria natureza (1)

Lao Tsé, o Mestre do Tao, assim nos orienta a respeito do Dharma primordial, ou seja, o Tao se orienta por sua própria natureza..... Podemos, então, entender o Dharma como sendo a característica essencial de nosso ser, nossa natureza essencial, nossa própria maneira de ser.

Também Dharma nos remete à alegria de fazermos parte de uma coletividade dentro da Criação – Jiiva - e, com a plena consciência em relação à nossa natureza essencial, prestarmos nossos serviços a todos os seres – no entanto, sempre voltados para nossa Unidade essencial, Shiva.

Dessa forma, quando falamos sobre o Dharma, nos lembramos da consciência coletiva e da consciência unitária:

- A consciência coletiva, Jiiva, é a própria Criação, em sua multiplicidade infinita e sempre em eterna mutação, em seus ciclos infinitos de vida, morte, vida, morte..., bem como a interiorização e fundamentalmente, a exteriorização.

- A consciência unitária, Shiva, é advinda da Mente Cósmica que faz brotar a Criação, nela manifestando a unicidade absoluta da Suprema Consciência, o Tao da Criação, que representa a plenitude da não-mutação... e certamente, apenas interiorização.

A consciência coletiva nos leva à realização de nosso Trabalho de Encarnação. A consciência unitária nos leva ao nosso Caminho da Iluminação e posteriormente, ao Caminho da Liberação ou Imortalidade: o Retorno à Fonte Primordial.

Assim, Dharma revela nossa alegria imensa de retornarmos à nossa Fonte Primordial, de nos fusionarmos à Suprema Consciência, de nos tornarmos unos com a Consciência Una.

Através dos tempo e do espaço, do Vazio e da Luz, vamos vivenciando cada vez mais a ampliação de nossa mente até que se torne mente iluminada e infinita. E é através da forma com a qual vamos vivenciando este processo dentro da Samsara, a Roda da Vida, as encarnações junto à mutação da Criação, vamos elaborando nossa natureza essencial, nosso Dharma.

Então, assim como acontece com Karmas e Samskaras – ações e reações em potencial – o Dharma é também algo que vamos construindo ao longo de nossas vidas: o ser essencial, a natureza própria que existe em cada um de nós, é como uma longa estrada caminhada passo a passo – com consciência a cada passo. É o Livre-Arbítrio.


Livre-Arbítrio

O verdadeiro Livre-Arbítrio é aquele que chega até nós quando finalmente estamos vivenciando nosso Dharma em toda sua plenitude, ou seja, quando já nos encontramos em nosso Caminho da Iluminação, com vistas a também posteriormente trilharmos nosso Caminho da Imortalidade ou Liberação – mente e vida infinitas e iluminadas.

Certamente que também o Livre-Arbítrio nos acompanha desde sempre, a cada passo nesta longa estrada que viemos caminhando, desde o começo desse universo do qual fazemos parte atuante e constante e sempre em mutação.

Porém, como já vimos anteriormente, temos que aprender a trabalhar nossa mente de maneira tal que eliminemos todos os Karmas e Samskaras negativos. Talvez esse seja o maior aprendizado em relação ao bom uso do nosso Livre-Arbítrio.

O melhor Livre-Arbítrio é aquele que nos orienta no sentido da eternidade e nos elucida em relação a tudo aquilo que é apenas efêmero, transitório. A própria escolha entre o vivenciar um tema ou outro faz parte de nossa maneira essencial de ser, nosso Dharma.


homem, Homem-Sagrado e o Bodhisattva

Ao final do Caminho da Iluminação, já como Homens-Sagrados-a-virem-a-ser, temos em frente a nós um momento absolutamente decisivo em relação à maneira como vivenciamos nosso Dharma e como agimos nosso Livre-Arbítrio.... A pergunta se faz: vamos continuar, seguir em frente, ou vamos parar? Ou seja, vamos nos colocar em nosso Caminho da Liberação ou Imortalidade e realmente nos tornarmos Homens-Sagrados com a transmutação plena de nosso corpo físico em Corpo de Luz – com mente e vida infinitas e iluminadas?

E, em seguindo nosso Caminho da Liberação, conseguimos finalmente – após tantas e tantas encarnações – nos tornarmos uma estrela, um Homem-Sagrado.... qual deverá ser nosso caminho?

..... Devemos nos tornar a Semente Queimada que sai da Roda das Encarnações assim como a conhecemos e nos lançarmos como mentores ou guardiões da vida em desenvolvimento da Mente Cósmica dentro desse nosso Sistema Solar.... ou em outro lugar da Galáxia... ou em outra galáxia, quem sabe em outro universo, ou ainda além, quem sabe dar berço a um novo universo?

..... Ou devemos nos tornar um Bodhisattva, um ser de compaixão, que ainda prefere continuar atado à Roda da Vida, encarnando no Planeta Terra – correndo o risco de praticar Karmas negativos e colher Samskaras negativos (embora sua mente infinita e iluminada – e sua vida infinita e iluminada - o orientem quanto a isto) – para ajudar a levar a luz da consciência a todos os seres que aqui vivem... até o último deles conseguir sua Iluminação (e Liberação)?
.......

Como vemos, Karma e Samskara, Ação e Reação em potencial, e Dharma e Livre-Arbítrio caminham juntos, todo o tempo, tecendo uns aos outros: o Dharma nos fazendo vivenciar nossos atos a partir do nosso Livre-Arbítrio, sempre estruturados no ser essencial que existe dentro de nós e que vai sendo elaborado - em ações e reações em potencial, Karmas e Samskaras - construindo a ampliação de nossa mente em consciência coletiva, inicialmente, e posteriormente, em consciência unitária – à semelhança da Consciência Cósmica, a Suprema Consciência.


 Ação dentro da Não-Ação

A Não-Ação não significa nada fazer, ao contrário, significa a Ação correta no momento em que ela é necessária de se fazer acontecer. Para tanto, o livre-arbítrio e a plenitude da consciência nos ajudam imensamente em praticarmos a verdadeira Não-Ação.

O Caminho é uma constante não-ação
Que nada deixa por realizar (9)


Desejo dentro do Não-Desejo

O Desejo único que resta ao homem que está em seu Caminho de Iluminação e de Liberação para tornar-se o Homem Sagrado é o de seu Retorno à Fonte Primordial, ao Tao, à Consciência Suprema. Assim, o Desejo torna-se Não-Desejo, na medida que não mais se almeja o retorno à encarnação e à Roda da Vida, a Samsara – apenas como Semente Queimada ou Bodhisatwa.

A simplicidade do sem-nome também se inicia no não-desejo
O não-desejo traz quietude
O céu e a terra, por si, estarão em retidão (9)


Humildade e Desapego

Para alcançarmos o Tao, O Caminho, resta-nos o exercício do Te, A Virtude.

A maior das Virtudes certamente é a Humildade.

A maior das qualidades é certamente o Desapego. Desapego no sentido da compreensão plena entre a transitoriedade, a duração, a finitude, a eterna mutação da Criação.... e a constância, a infinitude, a não-mutação do Criador.

Dessa forma, aquele que alcançou a iluminação e infinitude de sua mente e de sua vida pratica a humildade e o desapego, naturalmente, sempre fluindo na correnteza do Tao da Criação.

...., o Homem Sagrado age sem querer para si
conclui a obra mas não se apega
e não deseja mostrar sua eminência (13)





Terra: Estação de Trabalho e de Iluminação

A Terra é um lugar ideal – na verdade, a nível objetivo de conhecimento, nossa Terra é o lugar mais ideal que conhecemos para receber a encarnação das almas coletivizadas advindas da Criação a partir do espírito do Uno inicial.

A partir de nossa compreensão de que nosso Caminho da Iluminação pode apenas ser realizado dentro da encarnação bem como, e principalmente, nosso posterior Caminho da Liberação e Imortalidade também, e levando em conta que a Terra é fundamentalmente um lugar de Trabalho (em função de sua intensa materialização), o avanço passo a passo de expansão de nossa consciência nos leva, num primeiro momento, a um imenso aprofundamento de nosso auto-conhecimento para que desta maneira possamos bem exercer da melhor forma possível nosso(s) trabalho(s) neste Planeta.

Num segundo momento, ao realizarmos nossa encarnação e nosso trabalho em sua plenitude, naturalmente estaremos nos colocando em nosso Caminho de Retorno à Fonte Primordial.

Assim, nosso propósito nesta vida é de nos conscientizarmos mais e mais e a cada momento de nossa existência, em relação a tudo aquilo que é apenas efêmero, transitório, passageiro, em constante mutação, e a tudo aquilo que é eterno, imutável e de nos fazer olhar para o princípio, para o durante, e para o fim de tudo na natureza do Céu e da Terra, com o mesmo olhar... porque tudo, em verdade, faz parte de um ciclo... até a própria criação da Criação... , e orientar nossas ações e nossos passos voltados para a iluminação e infinitude de nossa consciência... e infinitude e iluminação de nossa vida.

O homem se orienta pela terra
A terra se orienta pelo céu
O céu se orienta pelo Tao
O Tao se orienta por sua própria natureza (1)


A Estrela de Seis Pontas

Se retornarmos ao Capítulo O Tao e a Criação do Céu e da Terra,  veremos que o Sublime Pai gera toda a Criação trazendo a Luz da Vida através de seu sentar no Vazio, colocando-se no Revirão entre o Mundo da Não-Manifestação e o Mundo da Manifestação e assim propiciando a Sublime Mãe criar e re-criar a Não-Luz em toda a Criação, o universo, preenchendo os buracos do céu com estrelas e moldando seus filhos, tudo sempre a partir do barro....  E certamente não podemos jamais nos esquecer que a Sublime Mãe deixou de preencher um buraco no céu, deixou-o vazio... porém usou todos os pedacinhos daquilo que seria a última estrela e moldou-os como o coração de seus filhos....  Nosso coração, um pedacinho de estrela, anseia buscar nosso lugar no Céu...

Assim, existe uma estrela no céu que possui sua correspondência na Terra. Essa estrela se manifesta em cada um de nós - seres com o desenvolvimento da mente que acolhem a expansão da consciência. A verdade é que cada um de nós é um pedaço de estrela. Somos todos feitos de poeira de estrelas, somos compostos da mesma composição primordial e mutante do nosso universo.

Nosso universo é uma alma somente - O Uno - que, ao explodir para fazer sua vida surgir, se desfez em mil pedaços de pequenas almas que viajam suas existências mutantes e vivenciam e fazem esse universo existir até o seu final, quando novamente se reúnem num imenso abraço... até que novamente uma nova primavera venha acordar esse universo a vir-a-ser... É o Eterno Retorno.

O retorno é o movimento do Caminho (6)

Então, inicialmente, esta estrela que desce até nós, que somos nós, é composta da trindade inicial: o céu, a terra e o homem celestes. Objetivamente, é o Triângulo com o vértice apontando para o céu.

Num segundo momento, esta estrela que sobe a partir de nós, que somos nós, é composta da trindade já mutante: o céu, a terra e o homem terrestres. Objetivamente, é o Triângulo com o vértice apontando para a terra.

O entrelaçamento destas duas trindades, a celeste e a terrestre, ou dos dois Triângulos, existe a partir do desenvolvimento da mente e da expansão da consciência, fundamentalmente, e coloca o homem marcado pela estrela de seis pontas, a união, a Yoga, perfeita e plena, entre o homem, o céu e a terra. É a Sagração do Homem.

A estrela celeste, em sua trindade, desce à Terra trazendo a alma infinita e universal do homem que aqui se une com o corpo físico, formando a trindade terrestre, a estrela terrestre.

A partir da fusão das duas trindades, concretiza-se o Espírito, aquele que possui seu cordão umbilical diretamente ligado ao Tao da Criação - anterior à própria criação que é pelo Tao gerada através do Criador que cria a Criação.

Esse cordão umbilical que liga o espírito ao Tao da Criação é simbolizado pela corrente - Guruampara - que se instaura através a mutação da vida bem como através das heranças doadas e recebidas entre mestre e discípulo.

A plenitude da realização da estrela de seis pontas, é portanto, o retorno à Fonte Primordial: é o Homem Sagrado que, após trilhar seu Caminho da Iluminação e seu Caminho da Liberação, torna-se uma verdadeira estrela - objetiva ou subjetiva - ou seja, torna-se um Mestre, aquele que possui luz própria e assim pode guiar e iluminar seus planetas, ou melhor, seus discípulos.


O homem e o Homem Sagrado e a Estrela de Seis Pontas
sob as visões do Tantra e do Tao

As três palavras ou conceitos que acompanham ambas as trindades (celeste e terrestre) são as mesmas, variando apenas suas formas de se apresentarem enquanto trindade celeste ou enquanto trindade terrestre - Triângulo do Céu e Triângulo da Terra:

Sob a visão do Tantra, esses conceitos são: Ação, Conhecimento e Devoção. Em sânscrito, Karma, Jinana e Bhakti.

A Ação é a prática do homem a se tornar Homem Sagrado. O Conhecimento pertence à Terra. E a Devoção pertence ao Céu.

Obviamente, o Conhecimento da Terra é advindo do Céu e realizado pelo homem. A Devoção do homem é advinda do Céu e praticada na Terra através da Ação do Homem Sagrado.

.......

Sob a visão do Tao, o Conhecimento é denominado de Tesouro do Espírito. A Devoção pode ser compreendida como o Princípio Inicial (O Tao) e a Ação é encontrada através a figura do Mestre – essa é a Tríplice Transparência.

Existem, como composição da estrela triangular primordial ou a Sublime Tríplice Transparência:

O Princípio Inicial, a imagem do próprio Tao,
A Sagrada Leitura (o Te, A Virtude, são os conhecimentos sagrados)
e o Mestre (o homem já tornado Homem Sagrado).

Na estruturação primordial das linhas Yin e Yang do I Ching, O Livro das Mutações que contém toda a estrutura da relação céu, homem e terra, as três linhas que compõem os Oito Trigramas fundamentais da Família do Céu e da Terra (Pai e Mãe e seus Seis Filhos), também seguem o caminho indicado através da Tríplice Transparência.

O homem, por se encontrar na transição entre o céu e a terra, faz a ligação entre a constância e a infinitude do céu com a duração e a finitude da terra.

Quando acontece esta inter-relação plena entre o céu e a terra, as três linhas, o Trigrama primordial, duplica-se, ou seja, realiza-se como a Estrela de Seis Pontas dentro do Mundo da Manifestação, O Tai Chi, estruturando na dualidade e complementaridade do Sublime Yang e do Sublime Yin, criando então, o Hexagrama primordial do Céu e da Terra:


O Ciclo da Criação e a Triangulação de Forças

O Mundo da Não-Manifestação é um estado puro de onde se origina a Criação advinda do Mundo da Manifestação. Ao surgir a manifestação dos primórdios da Criação, com ela se objetiva a Mente Cósmica. Assim, a Mente Cósmica é uma objetivação para agir e nomear a Suprema Consciência dentro do Mundo da Manifestação... surge Brahma, a Consciência Cósmica, literalmente "O Grande".

Existe, então, o Mundo da Não-Manifestação, Nirguna Brahma ou Wu Chi– a Consciência Cósmica não-manifesta – que faz nascer o Mundo da Manifestação, Saguna Brahma ou Tai Chi– a Consciência Cósmica manifesta.

Brahma desmembra-se em dupla qualidade manifestada através de sua própria consciência objetivada em Eu Sou: Purusa. E através de sua capacidade, potencial ou objetiva, de manifestar sua capacidade de expressão: Prakrti, a energia cósmica.

Penso que podemos denominar Brahma em seu duplo desdobramento: Purusa, Eu Sou, como o Sublime Yang, o Criativo, a Luz, a Unicidade, o Absoluto. E Prakrti, a energia cósmica, como o Sublime Yin, a multiplicidade dentro da Criação, o Receptivo, a Não-Luz.

Purusa e Prakrti interagem entre si tanto dentro do Mundo da Não-Manifestação – Nirguna Brahma – quando dentro do Mundo da Manifestação – Saguna Brahma.

Dessa forma, a partir de Brahma, surgem a Consciência Cósmica, Purusa, e sua expressão de manifestação através da energia cósmica – Prakrti – interagem, fusionam-se e separam-se, fusionam-se e separam-se, criando o princípio do movimento.

Essa movimentação acontece dentro dos dois mundos – da Não-Manifestação e da Manifestação – formando, então, um tríplice qualidade de forças que competem entre si, infinitamente dando início, vivenciando e trazendo a finalização para dar começo a uma nova jornada: é a Criação.

Assim, tem início o Brahmacakra – o Ciclo de Brahma, - o movimento da Criação, do sutil ao denso, da Consciência à matéria, e o retorno do denso para o sutil, da matéria à Consciência.

Dessa forma, eis que surge a Estrela de Seis Pontas em sua primordialidade através de Purusa, Eu Sou, a consciência objetivada, o Sublime Yang; e Prakrti, a energia cósmica, o princípio operativo, o Sublime Yin, e concretizada pela triangulação de forças que manifestam o ciclo de BrahmaBrahmacakra. Essa triangulação de forças são:

Força Sutil – Sattvaguna –: Eu Farei; a realização voltada para o futuro
Força Mutativa Rajoguna; força que causa movimento, atividade, agitação – Eu Faço; a realização voltada para o presente
Força Estática – Tamoguna – Eu Fiz; a realização voltada para o passado

Essa triangulação de forças, seguindo seu movimento do sutil ao denso e em seu retorno, do denso ao sutil, do Mundo da Não Manifestação ao Mundo da Manifestação e deste para aquele, é a expressão autêntica da Estrela de Seis Pontas!

Podemos ver, dessa maneira, a mente manifestada através da Criação advinda do Mundo da Manifestação como espelhamento do Tao do Mundo da Não-Manifestação e formando a Estrela de Seis Pontas.

A mente em sua qualidade de unicidade, Shiva, é a Mente Cósmica. A mente em sua qualidade de coletividade, Jiva, é a mente da Criação que vai deslizando e condensando dentro do Mundo da Manifestação até expandir-se em sua plenitude de infinitude e de iluminação, através da eterna mutação da Criação até retornar à sua sutileza essencial dentro do Mundo da Não-Manifestação, quando volta a ser Shiva, a Mente Cósmica.

Ao Leitor/Caminhante: o Texto acima é de autoria de Janine Milward ₢2004. Se você quiser copiar ou encaminhar, faça sempre na íntegra e sempre mencionando sua autoria e seus direitos reservados. Obrigada e Namaskar, eu saúdo você com minha mente e com meu coração.